É bala com bala | Plásticos em Revista

A transformação de plásticos no Brasil amargou queda de 2,7% no ano passado e viu sua produção sair de 6,42 para 6,24 milhões de toneladas. Em valor, o tombo foi de 6,4%, chegando a R$64,47 bilhões. A previsão brandida em janeiro pela Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) é de crescimento de 1% em 2015, variação suficiente apenas para superar o volume de 2010. Este ano, em tese, deverá ser de ajustes econômicos no plano geral, se o governo Dilma 2 reprimir sua ideologia e deixar a equipe de Joaquim Levy trabalhar. Além dessas questões internas, a indústria vai sofrer com os respingos do cenário mundial, incluindo os efeitos da exploração do xisto norte-americano, crise na zona do euro, petróleo ladeira abaixo e desaceleração chinesa. Para complicar, antevê José Ricardo Roriz Coelho, presidente da entidade, vai faltar água de forma generalizada a partir de março na Grande São Paulo, onde está concentrada uma picanha da transformação nacional de plástico. Nesta entrevista, Roriz dimensiona o tamanho da encrenca ou, conforme o clima do leito, do desafio. A proposito, procurado por Plásticos em Revista, Carlos Fadigas, presidente da Braskem e porta-voz da petroquímica nacional, preferiu não falar sobre a conjuntura pela ótica das resinas.

• PR – Em 2014, a produção de transformados plásticos caiu 2,7% em volume e 6,4% em valor. Exportações continuam pífias e importações cresceram 6% em volume e 3% em valor. Como esse caso pode se repetir em 2015 e até piorar, é o casa de a Abiplast trocar o discurso da competitividade e inovação pelo da sobrevivência básica do setor?

Roriz – Não enxergo uma solução para o problema de competitividade da indústria em curto e médio prazos. O Brasil tinha uma equipe econômica sem credibilidade e, ao se colocar três pessoas competentes, o governo queria que isso voltasse de uma hora para a outra. Sem credibilidade não se faz nada, mas ela sozinha não basta para impulsionar o PIB para cima.

• PR – Essa credibilidade é afetada por estarmos caminhando para uma crise institucional?

Roriz – Não concordo com o que o economista John Maynard Keynes falou sobre o empresário precisar ter um instinto animal. Antigamente poderia ser, mas hoje os empresários trabalham com os fatos, dados, números e projeções. Delfim Netto, no nosso Seminário Competitividade realizado em setembro passado, disse que o país voltará a crescer quando recuperar a credibilidade. Mas existe a condicionante política. Aliás, o desemprego de 2015 será maior. A indústria automobilística começou a demitir. Os setores de açúcar e álcool e a construção civil têm problemas, tal como a indústria de petróleo e gás. São setores que puxam a economia. De 300 setores, os único que está bem, a meu ver, é o de higiene pessoal. Em 2015 haverá aumento do desemprego, bem como aperto para atingir os indicadores estabelecidos pela nova equipe econômica e uma presidente que politicamente sofrerá pressões de todos os lados. Para complicar, a cada dia aparece um fato novo sobre o escândalo da Petrobras.

• PR – E como a indústria do plástico sobrevive nesse cenário?

Roriz – O instinto animal para o investimento não existe mais, mas o instinto de sobrevivência do empresário, sim. Se o empresário começa a não ganhar dinheiro, ele demite, deixa de recolher impostos, sonega e não paga os bancos. Estamos indo por esse caminho.

• PR – Pelo acompanhamento da Abiplast, como avalia a incidência de pedidos de falência e recuperação judicial por transformadores em 2014?

Roriz – Se não houver uma solução para indústria de forma geral, em 2015, haverá muito problema de liquidez entre vários segmentos, plástico incluso.

• PR – A rota do gás de xisto, recessão na Europa, recuperação incerta nos EUA, desaceleração da China e queda nos preços do petróleo embutem quais prováveis consequências para a transformação brasileira em 2015?

Roriz – Os preços de petróleo estão caindo e há um interesse norte-americano nisso. Há vantagem para os EUA em afetar negativamente a Rússia, o que, em termos de geopolítica, é um desastre. De outro lado, com o petróleo mais barato, saem do mercado novos investimentos em gás de xisto e em produtos não convencionais. Ou seja, os EUA ganham política, mas perdem na economia. Porém, como eles são o maior comprador de petróleo do mundo, a commodity mais competitiva gera benefícios. A economia norte-americana, que já vinha melhorando, irá continuar em viés positivo, com energia barata e investimentos voltando. A queda nos preços do petróleo também será boa para a Europa, que precisa do produto de fora. Grandes perdedores nessa equação são Venezuela, Rússia e Irã, economias dependentes da venda do petróleo. Não é de interesse dos EUA, no entanto, que os preços do petróleo continuem muito baixos em longo prazo. Os investimentos na petroquímica norte-americana permanecem intocáveis e estão mais competitivos. Além de ter gás abundante, existe agora a possibilidade de comprar nafta a preço mais atraente.

• PR – E como fica a indústria daqui?

Roriz – Para a transformação de plástico no Brasil a situação é ruim, pois lá fora os preços das resinas tendem a cair e aqui eles são mantidos altos de forma artificial. Nossa concorrência vai ficar pior. A valorização do Real normalmente melhora a competitividade da indústria. Mas no Brasil, como a matéria-prima absorve imediatamente as variações de câmbio e o transformador não consegue repassar o aumento devido à concorrência, não haverá ganho para a indústria de transformação.

• PR – A China ultrapassou os EUA e hoje é o maior exportador de transformados de plásticos para o Brasil. Isso é uma tendência sem volta?

Roriz – Em volume, sim. Mas o valor agregado dos EUA é três vezes maior do que o da China. OS EUA exportam para cá só coisa boa, a exemplo de laminados de sete camadas para a indústria de carnes.

• PR – Por quais motivos o delta entre preços internos e internacionais de poliestireno (PS) é bem menor nos gráficos da Abiplast que os das demais resinas?

Roriz – Porque há concorrência.

• PR – No plano geral, a indústria, perdeu o status de grande empregadora que tinha no passado. Hoje essa posição é detida pelo setor de serviços e automação da manufatura encolhe o número de funcionários. Tem cabimento, portanto, a transformação de plásticos insistir em passar a imagem pública de grande empregadora?

Roriz – A grande vantagem da indústria de plásticos é que ela convive muito bem com centros urbanos. Há uma política em grandes metrópoles no mundo de colocar em bairros mais pobres industrias que não poluem e não consomem muita água e energia, visando criar emprego e evitar que o morador vá para os centros para trabalhar. O plástico é muito democrático, está no Brasil inteiro. Qualquer cidade de mais de 50 ou 100.000 habitantes tem uma fábrica de artefatos plásticos. Essa indústria pode ser uma importante solução para os centros urbanos. Ela está saindo das cidades maiores e indo para o interior, o que, em algum tempo, pode criar problemas nos centros assim abandonados.

• PR – Qual é o efeito da crise hídrica sobre a transformação de plásticos paulista?

Roriz – Felizmente, a indústria de plástico consome menos água do que outros segmentos. Cerca de 70% das empresas possuem programas de tratamentos e reuso de água, algumas em maior escala, outras em menor. Ainda assim, haverá um impacto econômico muito forte e provavelmente haverá indústria parando por falta de água.

• PR – Os associados da Abiplast falam em transferir equipamentos para outros estados?

Roriz – Não. O que eles tentam agora são concessões para poços artesianos, por exemplo.

• PR – Teve noticias de bancos serem mais seletivos na concessão de financiamento por causa disso?

Roriz – Matematicamente, faltará água a partir de março. Os setores intensivos em água terão mais dificuldade em uma série de aspectos.

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Fonte:  Plásticos em Revista

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